Doutor Picanha, de Ibirubá para o mundo!

Na tarde de 12/01, o ibirubense Paulo Picanha Sérgio Telpes esteve visitando o prefeito Abel Grave e amigos na Prefeitura Municipal. Paulo, há 12 anos morando fora de Ibirubá, está instalado em Brasília. Profissionalmente, Paulo é conhecido no Brasil e no exterior como Doutor Picanha, vivendo exclusivamente de realizar eventos, quando o prato principal é o tradicional Churrasco Gaúcho.

Neste mês de janeiro, Paulo está visitando familiares em Ibirubá e cumprindo uma agenda de eventos na região Sul do Brasil. Em sua estada no município, se encontrou com muitos amigos e, lógico, assou churrasco como forma de acarinhar a Terra da Pitangueira.

Paulo não é ibirubense, pois nasceu em Passo Fundo. Mas, se considera, pois viveu toda sua infância e parte da vida adulta em Ibirubá até que foi correr atrás do seu sonho: trabalhar com Gastronomia.

A reportagem do Cidade Viva conversou com Paulo e transcreve a seguir a os principais trechos da entrevista, pincelando a trajetória do ibirubense Paulo, que assina hoje o sobrenome Picanha e leva o nome de Ibirubá para o mundo.

 

Cidade Viva: Quem é o Paulo Sérgio Telpes?

Doutor Picanha: O Paulo é hoje o Doutor Picanha, o Paulinho que corria em Ibirubá, amigo de muita gente, estudante do Edmundo Roewer, do General Osório e da Escola Agrícola. Morei muitos anos aqui. Quando saí daqui, fui em busca de uma vida melhor. E acabou acontecendo tudo isto, de uma forma tão mágica e tão bonita, fazendo sucesso por todo o Brasil.

 

Cidade Viva: Como era sua vida quando você morava em Ibirubá?

Doutor Picanha: Sempre foi uma vida muito boa. Meus pais Carmen Born e Urbano Born moraram aqui a vida toda. Ainda tenho irmãos, primos e minha avó Jurema. Sou Técnico em Agropecuária, formado na primeira turma pela antiga Escola Agrícola. Levava a minha vida normal, de interior. Em 2002/2003, teve uma seca muito grande no RS, gerando muito desemprego. Acabei entrando nessa linha. Por isto, alguém me deu oportunidade de trabalhar fora de Ibirubá. A ideia era voltar para cá depois de um tempo. Nisso, fui convidado a trabalhar em feiras públicas como vendedor em algumas capitais. Quando eu estava em Brasília, por estar vestido de gaúcho, fui convidado a fazer um churrasco (as pessoas fazem a associação gaúcho-faz-churrasco). Depois disto, nunca mais parei de fazer churrasco e nunca mais voltei a Ibirubá. Já são 12 anos que moro fora. As coisas começaram a dar muito certo, os pedidos para se fazer churrasco foram aumentando, cada vez mais, e comecei a trabalhar em todo o Brasil. E quando me dei por conta estava fazendo churrasco fora do país. E nesta história, já estive fazendo churrasco em oito países do mundo.

 

Cidade Viva: Quando você morava em Ibirubá, você fazia churrasco?

Doutor Picanha: Sempre, a nossa geração foi conhecida por ser muito festeira. Sempre que tinha uma festa ou um churrasco, nós estávamos no meio. Minha história fica como um alerta para as pessoas que têm um sonho. Acreditem no seus sonhos. Eu sempre tive muita vontade de trabalhar com comida, no ramo da Gastronomia. Só que no interior não tem um curso específico e alguém que diga que você pode trabalhar com comida e fazer sucesso com isto. E somente eu via aquilo. Quando me dei por conta do meu sonho, fui em busca da Gastronomia. Estudei e me formei em Gastronomia numa das melhores faculdades do país em Brasília, sou Chefe de Cozinha. Agradeço muito a Deus e a vida que me deu esta chance.

 

Cidade Viva: Quando você falou que queria trabalhar com comida, não lhe disseram que você era louco?

Doutor Picanha: Sim, 99,9% apontaram o dedo, riram muito, me chamaram de louco. Acho que muitos sabem o que é isto. Por isto, digo, acreditem em seu sonho. Não fiquem presos no interior, por acharem que a vida não lhes dará uma chance. O Brasil é muito grande e precisa de muita gente boa para trabalhar. E foi isto que aconteceu comigo. Eu acreditei em mim, quando muitas pessoas não acreditavam. E foi daí que nasceu de Ibirubá para o mundo. Porque quando eu saí daqui alguém gritou e eu ouvi: lá vai o doido de Ibirubá para o mundo. Então, eu transformei “de Ibirubá para o mundo” na minha grande motivação de vida. E hoje está se concretizando, já tenho oito países em meu currículo e até 2020 quero realizar a volta ao mundo. Aí vou lançar um livro.

 

Cidade Viva: Qual o diferencial do Paulo para chegar nessa trajetória de vida e se destacar dos demais profissionais da área?

Doutor Picanha: Faço sempre uma relação do churrasco com o futebol. Por que o Neimar e o Ronaldinho são bons, e determinadas pessoas são boas no que fazem? Porque se dedicam, têm persistência, trabalham com empenho. Quando todo mundo dizia que eu jamais iria conseguir realizar o meu sonho, eu trabalhei com seriedade, muito foco, muita fé, acreditei muito e me dediquei muito, muito mesmo. E hoje estou colhendo os resultados. Eu faço a mesma coisa que todo mundo faz, mas de uma forma diferente.

 

Cidade Viva: A formação do povo gaúcho, das pessoas do interior, dos valores familiares, as escolas que fazem um algo a mais do que o currículo, acabam por deixar a pessoa mais bem preparada para enfrentar o mundo?

Doutor Picanha: Sim, a cultura gaúcha fala muito alto em todo lugar e é muito valorizada Brasil a fora. E aí junta tudo, temos também a influência da descendência alemã, meu pai era alemão. Esta criação e educação de casa, o ensinar a fazer as coisas, o ensinar a trabalhar, me ajudou muito na minha formação quando eu saí de casa na primeira vez já saí, digamos, pronto para enfrentar as dificuldades. Já fui empenhado em dar certo, de fazer acontecer, trabalhar com seriedade. E isto fez toda a diferença.

 

Cidade Viva: Como é o teu negócio em Brasília?

Doutor Picanha: Trabalho exclusivamente com eventos, tenho uma churrascaria móvel, atendo à domicílio Embaixadas de outros países, Ministérios, empresas diversas. O mundo está mudando e a forma de atender também. Foi aí que vi uma oportunidade de negócio. Não importa o número de pessoas, 50, 100, 500 ou 1.000, eu levo a churrascaria até as pessoas. Organizo tudo, almoço, bebida, garçons, levo todo o material.

 

Cidade Viva: De nascimento você é Paulo Sérgio Telpes. Em que momento, Picanha passou a integrar o seu sobrenome?

Doutor Picanha: Costumo dizer que eu não mudei de nome. Eu me adaptei ao mercado de trabalho. Foi uma forma que achei de me diferenciar dos demais. Quando comecei era o mesmo num mercado onde já existia outras pessoas. Daí surgiu a ideia de transformar o Paulo Telpes em Paulo Picanha. Ganhei o direito de usar este nome.

 

Cidade Viva: Nestes 12 anos, qual a sua percepção sobre a cidade de Ibirubá?

Doutor Picanha: Ibirubá mostra que cresceu muito em função de empregos, construções, prédios novos, gente nova de fora que vieram trabalhar aqui. Pelo fato de terem muitas empresas aqui e a Administração Municipal, que tem um prefeito que trabalha pelo desenvolvimento da cidade. Ibirubá está muito bonita e está de parabéns! Isto me deixa mais orgulhoso ainda quando vamos à Brasília e falamos de Ibirubá.

 

Cidade Viva: Quanto tempo você vai ficar em Ibirubá?

Doutor Picanha: Uns 15 dias, pois tenho uma agenda na região Sul. Fico muito feliz quando eu saio nas ruas de Ibirubá e as pessoas vêm até mim para falar que têm orgulho desta história. Tenho uma ligação muito grande com a cidade, pois tenho meus familiares aqui. Sempre que possível eu volto para retribuir este carinho e fico muito feliz em rever as pessoas.

 

Cidade Viva: Qual a mensagem do Doutor Picanha para Ibirubá?

Doutor Picanha: Eu quero agradecer imensamente a Terra da Pirangueira por me deixar levar este legado à frente, de dizer que sou alguém de Ibirubá para o mundo. Quero também agradecer muito meus familiares, mas, principalmente, aos meus pais – já falecidos -, por tudo que me deixaram, pela educação que me deram. Deixo também um abraço carinhoso a todos que conheceram meus pais e à toda a Terra da Pitangueira.

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Magda Pimentel

Assessoria de Imprensa

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